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Brasil teve ao menos 1 caso de feminicídio por dia em 2022; SP e RJ lideram

Indico aqui um texto que mostra a gravidade e a amplitude das mortes de mulheres A corretora Ana Carolina da Silva Santos Fernandes, 27, foi encontrada morta, em outubro de 2022, dentro da própria casa, com a filha de dois anos no colo. Principal suspeito pelo crime, Fernando Fernandes dos Santos, 35, o marido, foi preso em fevereiro deste ano. O corpo foi localizado pela mãe de Ana, após uma ligação da sogra da vítima para falar sobre uma suposta briga entre o casal. Uma mulher morre por ser mulher a cada dia 495 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, em 2022. São Paulo foi o estado com mais registros: 109 casos. A morte de Ana Carolina dá nome aos números, pois ela foi assassinada na zona leste da capital paulista. Números de feminicídios em 2022: São Paulo - 109 casos Rio de Janeiro - 103 casos Bahia - 91 casos Pernambuco - 59 casos Maranhão - 57 casos Piauí - 48 casos Ceará - 28 casos... https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2023/03/06/feminicidios-brasil...

E quando o abusador nunca desiste? Gaslighting

 No final de junho, completam-se 3 anos de quando meu ex-marido saiu de casa, tendo-me entregado uma "carta de divórcio". Hoje, ele já mora com a namorada de 2 anos e meio de relacionamento e a filha dela, que, por acaso, tem a mesma idade da minha filha. Está no emprego que quis, deve ter a vida que quis, tudo certo...  Não tenho contato com pessoas divorciadas como eu, mas acredito que, ao escolher seguir por caminhos diferentes, o ex-casal não tenha mais interesse em conversar sobre problemas da época do casamento nem em ficar arrumando desculpa para mandar mensagens ou se encontrar. Acho que o único assunto que poderia sobrar, se é que sobra, é sobre as urgências dos filhos. Mas, quando o ex-marido tem algum tipo de desequilíbrio, sempre aparece um assunto para tratar, uma culpa para jogar, uma grosseria para dizer. Entre as várias formas de violência psicológica, temos o gaslighthig , que permanece mesmo depois desse tempo todo de afastamento, com novas atitudes, novas m...

Santa Rita

 Não sei se com você foi assim também, mas comigo aconteceu. Talvez seja um caminho comum, porque, a cada 22 de maio, as homilias dos sacerdotes sempre falavam de problemas no casamento e Santa Rita, que conseguiu a conversão do marido depois de anos de oração e penitência. Comigo foi assim... era dezembro de 2014. Foi o primeira violência moral que sofri desse ciclo da vida e que me lembro - e é uma tremenda novidade tratar daqueles fatos com esse ponto de vista. Mas foi.  Eu participava de um grupo de casais católicos e havia um pessoa religiosa que nos acompanhava. Eu comecei a ter problemas de relacionamento com os outros casais, porque queria que eles entendessem o meu ponto de vista sobre vários aspectos, estivessem comigo nas excelentes descobertas de doutrina que vinha fazendo... e só ia ladeira abaixo. Hoje, sei bem mas respeitar o tempo de cada um. Assim, meu então marido tomou a primeira decisão unilateral violenta comigo sem me consultar, sem dar espaço para questi...

Carta para Miriam

Miriam, querida, agora você está bem e livre, mas sua liberdade deixou 3 crianças para trás. Eu sei o quanto é difícil acreditar que o homem que você amava poderia te fazer tanto mal, mas sim, querida, é possível. Ah, ele não faria isso... não te mataria ao lado do seu bebê de 1 mês, filho dele... mas, sim, fez.  Ah, Miriam, eu penso em quanto medo você sentiu... medo do que eram suas noites, do que foram seus dias, do quanto você se sentia fraca e do quanto o medo te paralisava. Imagino o quanto você pensou em sair, e você fez isso uma fez, mas voltou. E a culpa não foi sua. A culpa é toda dele. Você é dependente, talvez não tivesse emprego nem como sustentar seus três filhos... aí, pensava: ruim com ele, pior sem ele. E você voltou. Ele deve ter dito que nunca mais faria nada com você, que seria bom, trabalhador, que ia te ajudar a criar os filhos... Você o amava... você era dependente dele... e acreditou. Você não estava errada por ter acreditado. Ele é que é errado por não ter ...

Se pensar em desistir, melhor descansar

 Os dias, os meses e os anos de vida sob o abuso imprimem marcas na alma e, algumas vezes, também no corpo de cada uma de nós. Durante muito tempo, e eu ainda estou nessa fase, as lembranças dos momentos de abuso pulam como pipoca na panela: de maneira completamente aleatória, sem controle, mesmo que a panela não esteja quente. São lembranças que só vêm. E devemos deixar passar, sem culpa, raramente sem dor. Pelo menos foi isso que aprendi. Houve um tempo que brigava com minhas memórias e queria fugir delas. Mais tarde, entendi que isso não seria possível e que eu teria de reviver para poder reelaborar e quem sabe até digerir. Esse tem sido meu caminho de cura, já na certeza de que, como já disse algumas vezes para pessoas próximas, sequelada sou, sequelada serei, mas sempre vou tentar estar bem. Acho que é isso que os sobreviventes dos campos de concentração, por exemplo, fizeram quando foram libertados. Sim, eu me sinto uma sobrevivente. E você também é, principalmente quando tiv...

A Igreja, o matrimônio e a violência doméstica

 Falando para mulheres católicas praticantes. Sabemos que o sacramento do matrimônio é para sempre: ao prometermos amar e respeitar por todos os dias da nossa vida, estamos ligadas até a morte pelo sacramento indissolúvel. E como fazer quando a dor do marido abusador chega? É muito, muito difícil. A gente tem o exemplo de Santa Rita, a primeira mulher católica a sofrer violência doméstica de que se tem notícia. E, ao conhecer a história dela, a gente aprende que tem de amar o sofrimento, que tem de rezar pela conversão do marido, que tem de aprender a sofrer em santidade, sem maldizer, sem se revoltar, sem se defender, sem revidar. Esses são comportamentos válidos sim, porque fazem parte da nossa configuração cristã. Só que, se seu marido for do grupo dos fora da curva, nada disso vai adiantar.  Falo em fora do curva porque pode ser até que tenham alguma questão psiquiátrica, como os narcisistas e psicopatas, além dos borderline, por exemplo. Mas pode ser que só tenham traços ...

Natal com um marido abusador

Durante os quase 21 anos de relacionamento com meu ex-marido, juntando os anos de namoro e de casamento, eu nunca entendia porque o Natal tinha deixado de ser algo bom, livre, leve e feliz e se tornado dias de tensão, brigas, medidas paliativas que quase nunca funcionavam como eu esperava. Eu não entendia o que levava uma pessoa a querer discutir sobre o roteiro de viagem planejado há meses na noite de Natal, só para poder mudar tudo. Também não entendia a dificuldade que a pessoa tinha de se sentir acolhido, independentemente de todo esforço que qualquer pessoa poderia fazer.  Sempre acontecia alguma coisa que tornava os dias de Natal tristes, decepcionantes, instaurando medo do próximo Natal. Este foi o quarto Natal sem ele. Eu, meus filhos e alguns poucos familiares. Isso tem sido um processo curativo bom, que ajuda a construir novas memórias que, com sorte, vão enterrando os anos difíceis, para que se tenha a possibilidade de construir algo bom nos anos que virão. Então, mulher...