Carta para Miriam
Miriam, querida, agora você está bem e livre, mas sua liberdade deixou 3 crianças para trás.
Eu sei o quanto é difícil acreditar que o homem que você amava poderia te fazer tanto mal, mas sim, querida, é possível. Ah, ele não faria isso... não te mataria ao lado do seu bebê de 1 mês, filho dele... mas, sim, fez.
Ah, Miriam, eu penso em quanto medo você sentiu... medo do que eram suas noites, do que foram seus dias, do quanto você se sentia fraca e do quanto o medo te paralisava. Imagino o quanto você pensou em sair, e você fez isso uma fez, mas voltou. E a culpa não foi sua. A culpa é toda dele. Você é dependente, talvez não tivesse emprego nem como sustentar seus três filhos... aí, pensava: ruim com ele, pior sem ele. E você voltou. Ele deve ter dito que nunca mais faria nada com você, que seria bom, trabalhador, que ia te ajudar a criar os filhos... Você o amava... você era dependente dele... e acreditou. Você não estava errada por ter acreditado. Ele é que é errado por não ter mudado, por achar que era seu dono, por ser violento e por não te deixar viver.
Miriam, você procurou ajuda, você foi abrigada, você viu que tinha um caminho. Mas tudo bem. Você teve sua vida tirada para ensinar a outras mulheres que não tem volta, não tem mudança, não tem promessa, não tem essa de nunca mais vou fazer. Vai sim. Não vai mudar. Não pode voltar. Tem de buscar sobreviver de outra forma. Mesmo que piore, um dia vai melhorar. Você e tantas outras Mirians têm de lutar por si e por seus filhos. Se não for por você, que seja só por seus filhos, para que eles não percam a mãe. Não merecem isso.
Miriam, descanse. Acabou. Você está livre. Você foi guerreira. Você é uma vítima de um crime de assassinato porque o seu homem não aceitou o fim do relacionamento. Você é vítima de feminicídio.
Liberte-se! Não deixe o que aconteceu com a Miriam acontecer com você.
Seguem o link da matéria e um trecho da matéria
Dois meses antes de morrer, a cabeleireira Miriam Nunes, 26 anos, registrou boletim de ocorrência informando ter sido ameaçada, agredida e estuprada pelo companheiro André Muniz, 52.
No início de novembro de 2022, a cabeleireira declarou à polícia que, em uma tentativa de romper a relação com André, ele a violentou. O abuso teria acontecido dois meses antes do registro do BO, ou seja, no sétimo mês da gravidez. O medo que sentia do parceiro, no entanto, a teria impedido de procurar ajuda.
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