A Igreja, o matrimônio e a violência doméstica
Falando para mulheres católicas praticantes.
Sabemos que o sacramento do matrimônio é para sempre: ao prometermos amar e respeitar por todos os dias da nossa vida, estamos ligadas até a morte pelo sacramento indissolúvel.
E como fazer quando a dor do marido abusador chega? É muito, muito difícil.
A gente tem o exemplo de Santa Rita, a primeira mulher católica a sofrer violência doméstica de que se tem notícia. E, ao conhecer a história dela, a gente aprende que tem de amar o sofrimento, que tem de rezar pela conversão do marido, que tem de aprender a sofrer em santidade, sem maldizer, sem se revoltar, sem se defender, sem revidar. Esses são comportamentos válidos sim, porque fazem parte da nossa configuração cristã. Só que, se seu marido for do grupo dos fora da curva, nada disso vai adiantar.
Falo em fora do curva porque pode ser até que tenham alguma questão psiquiátrica, como os narcisistas e psicopatas, além dos borderline, por exemplo. Mas pode ser que só tenham traços de distúrbios, enfim. Cada caso é um caso. E só você que convive com seu marido sabe o quanto ele passa dos limites. Pessoas ficam nervosas e isso acontece. A diferença está em como a pessoa age depois que perde a linha.
Perder a linha e se arrepender faz parte da vida e as esposas devem entender isso. E nosso coração sabe quando só foi uma doidice de momento que não vai se repetir outra vez. Quando a doidice é recorrente, frequente, independe de bebida ou surge do nada, é aí que se deve ficar alerta. É aí que você, minha amiga, deve prestar atenção e começar a ter certeza de que não tem jeito.
Procure ajuda. Do padre, do confessor, de alguém próximo, de psicólogo e psiquiatra. Não tente resolver sozinha: não é tão fácil quanto parece, pode acreditar em mim.
E como fica o sacramento: do mesmo jeito que sempre esteve. Sim, você estará ligada ao seu marido por todos os dias da vida. Essa é a regra. Você só vai ter de escolher se vai seguir a regra e viver em comunhão com a Igreja ou se vai sair em busca de outro relacionamento, que, talvez, repita as mesmas condições de violência do anterior, se você não estiver curada. Recomendo que você discuta essa questão com Jesus na Eucaristia: vá ao Sacrário muitas vezes, peça que Jesus te dê discernimento e sabedoria. Entregue-se a ele. Parece injusto ter de ficar sozinha depois do divórcio? Parece. Mas, com o coração cheio de amor, você vai ver como é bom estar plenamente ligada ao Senhor. Vale mais que qualquer coisa que o casamento traz.
Vamos juntas!
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